
gosto da poesia caótica,
que resvala o punho,
espeta os olhos
de cotovelos espessos
sobre a mesa à espera
do susto.
gosto da falta de sentido,
que apruma a busca,
o paladar, o perdido,
que vaga no meio da
escuridão.
gosto do palpite insano,
da rima que espera
afiando a palavra
com detalhes ingratos,
tripudiando o obvio
da ilusão.
gosto do voo cilíndrico,
proposital à queda,
ao inverossímil.
eu amo a liberdade
da falta, da saudade,
da poesia que não
se acaba nunca.
eu sou o deslize, a queda,
eu queria não ter corpo,
ser mar, ser céu, o oposto,
ser energia só pra vagar
e não dizer nada,
ser o ruído do sangue nas veias,
ser a tempestade dos pensamentos
e depois de morrer
entender todo o sentido
e finalmente, quem sabe um dia,
escrever versos altaneiros.Elisa Bartlett